A construção olímpica de Guilherme Plentz
De olho na Olimpíada de 2028, em Los Angeles, o atleta de iQFoil Guilherme Plentz vem se preparando para o próximo bloco de competições internacionais deste ano.
O calendário de 2026 pode até não distribuir vagas olímpicas diretas, mas, para um atleta em campanha, cada regata deste ano carrega um peso estratégico. É com essa visão de longo prazo que o velejador do Clube dos Jangadeiros organiza a temporada, mirando, sobretudo, o Mundial de 2027, a primeira grande porta de entrada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles. “É um ano que, na teoria, não vale nada, mas prepara muito. O foco é chegar o melhor possível em 2027”, conta Guilherme.
As vagas para os Jogos Olímpicos são distribuídas ao longo de uma série de competições internacionais. A principal porta de entrada é o Mundial das Classes Olímpicas, previsto para o próximo ano em Fortaleza, que deve distribuir cerca de 10 vagas para os países no IQFoil.
Na sequência, entram em cena os campeonatos continentais, como os Jogos Pan-Americanos, além dos Europeus, Asiáticos e Africanos, que concedem um número mais restrito de vagas às nações que ainda não se classificaram. A última possibilidade vem na Last Chance Regatta, a regata de repescagem que reúne os países ainda em busca de lugar no grid olímpico.
Um ponto central do sistema é que a vaga pertence ao país, e não ao atleta. Na prática, basta que um velejador brasileiro alcance o índice para garantir o Brasil nos Jogos. A definição do representante olímpico fica posteriormente a cargo da Confederação Brasileira, com base em seus critérios técnicos.
Trabalho em equipe

Embora o IQFoil seja uma classe em expansão no mundo, no Brasil o cenário ainda é enxuto. Por isso, a integração com equipes estrangeiras virou peça-chave. O velejador, recém-chegado de um treino de 30 dias em Ilhabela, treina regularmente com holandeses, americanos, um lituano e um brasileiro, formando um grupo que reúne atletas do top 20 mundial da classe iQFoil. A convivência elevou o nível técnico e trouxe ganhos concretos. Um dos parceiros de treino é o holandês Kiran Badloe, tricampeão mundial e medalhista olímpico.
Preparação de 2026
A temporada começa cedo e com sequência de viagens. O primeiro compromisso é o IQFoil Games, em Cádiz. Em seguida, o atleta cumpre compromissos no Rio de Janeiro antes de embarcar para Palma de Mallorca, onde disputa o tradicional Troféu Princesa Sofía, um dos eventos mais relevantes da vela mundial. No radar ainda estão uma possível participação no Europeu, em Portimão (Portugal), um período prolongado de treinos e o Mundial da classe, em Weymouth (Inglaterra), em setembro. A estratégia é clara: evoluir degrau por degrau, como ele vem fazendo desde que iniciou na vela.
“Só fica no esporte quem gosta do processo. Quem pensa só na linha de chegada acaba desistindo, porque muitas vezes tu dá um passo para trás para dar dois para frente”, conta Guilherme, que, com confiança, vem melhorando a sua performance. Em um ano, o atleta saltou da 112ª para a 50ª posição em Mundial, um avanço de 62 colocações que demonstra a obstinação e dedicação.
A trajetória até aqui
A história na prancha começou quase por acaso. Após passagem por classes de monotipos, o atleta migrou de modalidade incentivado por nomes experientes do clube. A participação na Olimpíada da Juventude acendeu de vez o objetivo maior. Desde então, a carreira segue uma lógica de construção paciente. Guilherme conta: “eu nunca fui o cara que chegou com o pé na porta. Fui construindo, aproveitando as oportunidades”, e talvez isso tenha sido o essencial para ele estar no ciclo olímpico. Guilherme Plentz é um velejador paciente e insistente que aposta na própria regularidade como principal aliada. Em um esporte no qual a margem de evolução é construída no detalhe, ele segue fiel ao método que o trouxe até aqui: avançar com leitura de cenário e persistência, virtudes que, no ciclo olímpico, valem tanto quanto a velocidade sobre a água.
O atleta conta com a ajuda da Marinha e do novo patrocinador Cigame para competir nesta temporada.



