O Jangadeiros é um grande Clube graças ao empenho e a dedicação de muitos de seus sócios. Um deles é o estimado sócio-benemérito Luiz Szabo, de 87 anos, que nos deixou nesta última terça-feira (10 de maio).
A comodoria do Jangadeiros e toda a família do Janga agradece a grande contribuição desse amigo e fiel escudeiro, um militante sempre atento e incansável pelas causas do Clube. Nos unimos ao sentimento da sua esposa Sônia Szabo, de seus filhos Pedro Luiz e Ladislau e de toda a sua família. Nosso grande agradecimento ao estimulante convívio, à amizade e à tantas alegrias compartilhadas!
Szabo, de família húngara, pertencia ao Grêmio Esportivo Masson, que em 1948 tornou-se o Iate Clube Guaíba. Ali, Leopoldo Geyer fomentou o esporte náutico, que atraiu Szabo. Com o aterro que mudou a paisagem da Zona Sul de Porto Alegre, o ICG ficou sem acesso ao Guaíba, portanto, sem condições para os velejadores por certo tempo.
Atento aos acontecimentos, o Jangadeiros recebeu de braços abertos os “náufragos” do antigo Clube, como Luiz se referia. Ele e seus companheiros chegaram com entusiasmo ao novo Clube, querendo vê-lo crescer. À época, o fundador Leopoldo Geyer já havia instituído os “Filhotes dos Jangadeiros”, com o qual o grupo se identificou por fazer parte da recente renovação.
Campeão Estadual na classe Sharpie, uma antiga embarcação de madeira, Szabo se tornaria capitão da Flotilha Pinguim, na qual seus filhos começaram a velejar. Foram diversas competições por boa parte do Brasil, Buenos Aires, Montevidéu e Estados Unidos. Mas, para que as competições ocorressem, era preciso que a categoria se unificasse em um padrão. Foi então que Szabo conseguiu a planta original, vinda da Alemanha, e regularizou a situação no País, feito que lhe rendeu o título de Chefe Nacional da Classe Pinguim, além de acumular o cargo de Vice-Comodoro Esportivo do Jangadeiros.
Ao longo de sua história com a vela, foi vice-presidente da Federação de Vela e Motor, presidente da Soamar (Sociedade Amigos da Marinha do Brasil) e comodoro do Jangadeiros em 1988. “Meu legado, e isso eu bato no peito para dizer, é que eu consegui unir as pessoas dos Clubes”, afirmou ele em entrevista ao Clube, defensor da ideia de que a rivalidade entre as agremiações deve ficar na água.
O ex-Comodoro lembrava com orgulho dos tempos de construção da Ilha, que veio a tomar forma graças ao esforço dos associados por puro amor ao Clube. Os finais de semana, seja auxiliando na colocação das pedras ou organizando festas para angariar fundos e dar forma a grandiosa obra, fizeram parte da memória de Luiz e sua esposa, Sônia Szabo, incansável na movimentação social e na própria concepção da Ilha.
“Minha maior satisfação é ver que a filosofia de nosso fundador está sendo levada adiante. É nos jovens que se deve pensar, pois eles são nosso futuro”, dizia Luiz Szabo. Orgulhoso da Escola de Vela Barra Limpa, sempre a considerou a “porta de entrada” do Clube, onde as crianças tem contato com os fundamentos e a filosofia do esporte náutico.
Depoimentos de amigos
Comodoro Manuel Ruttkay Pereira
“Sei que Luiz Szabo Adasz nasceu no Brasil, filho de húngaros, mas, para mim, ele tinha o jeito de quem havia vindo de Budapest, Giör ou Debrecen! Minha lembrança de pequeno era que, conduzido pelas mãos de meu avô, quando nos encontrávamos com a família Szabo, iniciava-se uma longa conversa em uma língua muito difícil e estranha, mas com a qual eu já estava acostumado e, lentamente, aprendia de forma rudimentar! Em todas as ocasiões nas quais nossos caminhos se cruzaram, sem exceção, sempre nos cumprimentamos no idioma magiar, aquele que até o diabo respeita, segundo Chico Buarque de Holanda! Ele brincava, explorando ao máximo meu limitado domínio da língua e eu esforçava-me para cumprir bem com o dever de não deixar cair a peteca dos Ruttkay! Certamente, conviver com o Szabo e beber da sua experiência e retitude ajudou-me, em muito, a entender o Jangadeiros e seus associados e também, em diversas ocasiões, a trilhar o caminho certo! Sua trajetória significativa e histórica dentro do CDJ está contada em outro texto desta News, com mais propriedade e correção do que eu poderia emprestar!
Szabo fez quase tudo dentro do Janga, sendo, inclusive, seu Comodoro, com excelente desempenho! Como poucos, não se retirou das lides do Clube que tanto amava após seu mandato e continuou, como Conselheiro extremamente atuante, até que as condições de saúde viessem a impor limites intransponíveis! Assim se comportando, ele reforçou em mim, a certeza de que muito bem representou a fibra, a coragem e a capacidade de trabalho dos húngaros que escolheram o sul desse imenso país para viver e deixar sua marca!
Partiu, para um outro patamar da existência, aquele que, dentro do Janga, trazia-me sempre, com traços muito vívidos e brilhantes, a lembrança carinhosa de László Ruttkay e seu veleiro, inspirador da minha intrínseca relação com este Clube! Querido Szabo: nessas novas paragens, certamente há um bom Sharpie a tua espera, ventos constantes e fortes como no Balaton e a companhia alegre e vibrante dos teus vários amigos e companheiros que disputarão, taco a taco, o direito de montar a bóia em primeiro lugar! Viszontlátásra! Istenveled!”
Vice-presidente do Conselho Deliberativo, Waldemar Bier
“Nosso amigo Szabo era um entusiasta pela prática do esporte da vela. Com o seu sotaque húngaro, calmo e apaixonado em incentivar os jovens, sempre foi um dos mais atuantes no Conselho do Clube. Tive o prazer de conviver muito com ele e a sua contribuição ao Jandadeiros é um legado que sempre iremos lembrar.”
Aimée Soares
“Cláudio Aydos definiu bem nosso amigo Luiz Szabo: “Luiz Szabo, um jangadeiro”. Era mesmo. Ingressou no clube junto com vários outros velejadores, como Luiz Chagas, Ruben Goidanich, Luiz Schramm, Rodolfo Ahrons, Eduardo Aaron, Eduardo Jacobsen, o “Pescocinho” e Airton Farias, todos oriundos do Iate Clube Guaíba. Quem saiu ganhando foi o nosso clube, que viu chegar essa turma que não só se integrou totalmente à vida do Jangadeiros, como passou a colaborar de maneira permanente e muito produtiva, a ponto de nós, jangadeiros mais antigos, termos a sensação de que eles sempre estiveram conosco. O Szabo, contando com o apoio e participação constante da Sônia, sua mulher, deu uma importante contribuição à organização e ao sucesso da vela juvenil, na época em que os nossos meninos navegavam em barcos da classe Pinguim. Gente como Marco Aurélio, José Adolfo e Luiz Eduardo Paradeda, George e Peter Nehm, Renato Reckziegel, os próprios filhos do Szabo, Pedro Luiz e Ladislau, entre outros, devem guardar lembranças muito vivas das inúmeras viagens para campeonatos nacionais e internacionais, que renderam expressivas vitórias para o Clube dos Jangadeiros. Luiz e Sônia Szabo foram os anjos da guarda dessa gurizada.Sempre em colaboração estreita com a direção do clube, Luiz Szabo foi nosso vice-comodoro Esportivo em três diretorias, de 1977 a 1981, e Comodoro no período 1988/1990. Ultimamente, devido às suas condições de saúde, vinha ao clube somente em ocasiões especiais, mas continuava atento e interessado. Quando eu ia visitá-lo, sempre me recebia com esta pergunta “Aimée, como vai o nosso clube?” E aí falávamos longamente, o Jangadeiros sempre nos deu muitos assuntos. Vamos sentir muita saudade do Szabo, homem calmo e sereno, como disse seu filho Peti, e amigo de verdade, com um grande coração sempre cheio de carinho pelo Jangadeiros e pelos amigos que aqui encontrou.”
Cláudio Aydos
“Esta semana perdi meu velho e grande amigo Luiz Szabo Adasz. Conheci o Luiz nos tempos do Ginásio Rosário. Solidificamos nossa amizade como velejadores no tempo em que ele disputava regatas pelo Iate Clube Guaíba com o seu “Tatagiba’ e eu pelo Jangadeiros com o meu “Rajada”. Arrisco-me a dizer que poucas pessoas tiveram ou têm tão grande amor pelo nosso Jangadeiros, onde ele foi vice-comodoro por várias vezes. Foi um ótimo Comodoro que, pelo seu grande trabalho e dedicação ao Clube, fez jus ao título de sócio benemérito. Szabo nos deixa para navegar em outros mares com ventos mais calmos, com certeza”
Pedro Pesce, vice-comodoro Administrativo
“O Szabo era um cara muito ponderado e extremamente comprometido com o Clube. Nunca faltava às reuniões de Conselho e mesmo com a saúde comprometida estava sempre ligado no Clube. Trabalhamos juntos durante 30 anos na Corsan. Era tranquilo, uma pessoa sensacional. O Jangadeiros era a vida dele. Temos muito a agradecer a esse nosso querido companheiro.”
Breno Kneipp e Iam Paim são vice-campeões do II Campeonato Brasileiro da Classe 29er 2016
Após oito regatas disputas, a dupla Breno Kneip e Iam Paim terminou na segunda colocação, com 16 pontos, conquistando a medalha de Prata no II Campeonato Brasileiro de 29er, realizado em Búzios. Somando sete pontos, os campeões foram os paulistas Antonio Aranha e Fabio Galwanese, do Yatch Club Santo Amaro. Outras duplas do Janga também participaram da competição: Lorenzo Bernd e Nicolas Muller, ficaram em quinto lugar, com 32 pontos; Marcelo Bernd e João Tatsch, em sétimo, com 42. Devido a falta de ventos de hoje, as últimas 4 regatas não foram realizadas.
Parabéns ao atletas pelo ótimo resultado!
Dia 25, Festa Junina no Janga!
Tempo de fogueira, pinhão e quentão no Janga. O Clube está em altos preparativos para a sua Festa Junina Arraial dos Jangadeiros.
Programa para sócios e seus convidados.
Em breve, mais notícias sobre o evento.
Jangadeiros participa com quatro atletas no Mundial de Hobie Cat 16
Quatro atletas do Jangadeiros já estão em solo Chinês, em Dapeng, para participar do Campeonato Mundial de Hobie Cat 16, que começa neste domingo (29) com 266 competidores de 16 países.
Na categoria Master, Mário Dubeux vai competir com João Kramer. E na Open, Mário terá ao seu lado a atleta Thais Langer, enquanto Lawson Beltrame une forças com João Kramer. A competição segue até 13 de junho.
Jangadeiros: uma história construída pelo amor de seus sócios
Da esquerda para direita: (atrás) Fernando Albuquerque, Sílvio Perez, Américo Haimel, Ralph Johnstone, Wagner Pereira, Paulo Renato Paradeda, Luiz Pejnovic, Luiz Landgraf, Waldemar Bier, Mario Teixeira e Bonífacio Rangel. (À frente) Kurt Keller,
Michael Weinschenck, Paulo Sérgio Paradeda, Luiz Carlos Lund, Arno Keller e Roberto Trindade.
Dezembro de 1941, quase 75 anos distante no tempo, é a data que deu início ao que hoje é o Jangadeiros. Embora idealizado por Leopoldo Geyer, o clube não é resultado de uma individualidade. Toda sua trajetória é marcada pela união daqueles que acreditaram em um projeto que nasceu como uma ideia ousada.
Sete décadas e meia depois, histórias não faltam para ilustrar o que a união e o amor de seus associados foi capaz de promover. Seja na força de manter uma tradição viva com passar dos anos ou no empenho de chegar mais longe pelo esporte, o Jangadeiros se tornou o local em que até uma improvável construção nasceu em meio ao Guaíba.
Uma churrasqueira dá início a uma tradição de mais de meio século
Pontualmente às 19h, começa mais um encontro do “Churrasco dos Piranhas”. Na pauta um pouco de futebol, uma pitada de política e muitas lembranças. Recordações de um tempo em que o clube não era nem sombra do que é hoje.
Pouco mais de meio século atrás, o Jangadeiros ainda não contava com uma churrasqueira para preparar as suculentas carnes assadas pelos competentes Silvio Perez e Mário Teixeira. Tudo mudou quando houve a troca na comodoria, conforme recorda Kurt Keller, um dos sócios mais antigos e também um apaixonado pelas histórias que viu surgir na beira do Guaíba.
“O Geraldo Linck foi convidado pelo Edgar Siegmann, por Edmundo Soares, por Cláudio Aydos e por mim para ser o comodoro da gestão de 60 a 62. Ele topou, mas com uma condição: que eu fosse seu vice-comodoro. Logo falei que precisávamos de um tesoureiro, um cara que mexesse com dinheiro. Foi então que convidamos o Eduardo Aaron, que veio do Iate Clube Guaíba”, lembra Keller.
Assim como Link, Aaron aceitou o convite prontamente, mas também com um porém: era preciso escolher uma data fixa e realizar um churrasco todas as semanas, sempre no mesmo dia e sem desculpas. Mas ainda faltava um elemento fundamental para fazer esse encontro acontecer: a churrasqueira.
Nada que um esforço conjunto não fosse capaz de dar conta. Cada sócio contribuiu um pouquinho para que, enfim, o tão sonhado churrasco pudesse acontecer. Pronto, estava criado o hoje tradicional “Churrasco dos Piranhas”, que já dura 56 anos sem falhar uma terça-feira sequer. Não há tempo ruim capaz de cancelar o encontro.
Mais uma prova da importância que o Jangadeiros ganha na vida de seus frequentadores. Além de um espaço de lazer e descontração, o evento se tornou um motivo para celebrar e fortificar amizades, algumas delas com duração de décadas.
A programação é sempre a mesma: toda segunda-feira pela manhã, Neni – como Keller é conhecido pelos demais sócios – manda um e-mail para os amigos, perguntando quem vai ao encontro. Dez, vinte, trinta confirmam e a quantidade de carne é comprada com todo o cuidado.
Uma ilha construída pedra a pedra
Entre uma interrupção e outra do sócio Luiz Pejnovic, que auxilia o assador servindo pedaços de salsichão, costela e vazio, Keller continua relembrando histórias do Jangadeiros, que também contam um pouco de sua vida.
“Sou sócio desde 7 de dezembro de 1941, data de fundação do Clube. Quando Leopoldo Geyer inaugurou o trapiche, ainda em janeiro de 1942, eu e meu irmão estávamos ao lado do muro, pouco mais de uma cabeça acima dele. Atrás de nós estava Cláudio Aydos. Meu irmão está com 82 anos, eu faço 80 na semana que vem e o Cláudio tem 87. Nós somos os três mais antigos do Jangadeiros”.
Quem chega ao Jangadeiros hoje em dia e vê aquela ilha imponente pode até não saber, mas ela nem sempre esteve por ali. Como tudo no Clube, foi construída com muito amor, conta Neni, com os olhos marejados e apontando para o seu próprio coração. É resultado de uma tarefa árdua e exaustiva.
“Era tudo, tudo no braço. Nós fizemos essa ilha trabalhando todas as terças-feiras. Seu Dorival levava uma chapa que nós conseguimos emprestada. Ela era encostada na pedreira e os trabalhadores carregavam com pedra. Na sexta-feira à noite, Dorival ia buscar e amarrava entre duas estacas. No sábado e domingo, íamos em grupo eu, Edmundo Soares e Geraldo Linck e descarregávamos uma a uma com a mão. As pedras afundavam e tu não via mais, porque elas caiam, rolavam e ficavam como uma pirâmide”, relembra em detalhes.
A construção continuaria nesse ritmo por décadas não fosse a chegada de um engenheiro, responsável por apresentar uma técnica inovadora e mais rápida. Por meio de um tecido, feito de material sintético, o protótipo estrangeiro conseguia conter o aterro sem a necessidade de colocação de brita. Tudo com alta durabilidade, sem apodrecer. Mais tarde, o teste seria implementado em diversas outras ilhas naturais.
Depois de 15 anos, a estrutura ficou pronta e o resultado não poderia ser melhor. Hoje denominada oficialmente Ilha dos Jangadeiros Geraldo Tollens Linck, homenageando um dos responsáveis pela sua construção, o complexo é um grande centro das atividades do clube. Com cerca de sete hectares de área, esse cartão postal possui instalações capazes de garantir o seu perfeito funcionamento e encantar a todos a cada fim de tarde.
Um canhão holandês em terras gaúchas
“Ele teria que passar à capitão de mar e guerra, a contra almirante, a vice-almirante, a almirante de esquadra e depois teria que ser escolhido pelo presidente como ministro. Esse cara conseguiu todas essas promoções, foi até à Escola Naval, tirou o canhão de dentro d’água e mandou para o Jangadeiros”, conta Neni na companhia do sócio Roberto Munhoz, que ajuda a relembrar os detalhes.
O canhão dado como presente é um modelo holandês, que costumava fazer parte da fachada da Escola Naval da Ilha de Villegagnon e ficava no acesso frontal para a entrada da Baía de Guanabara. Hoje apoiado em um carrinho de madeira, ele é parte do Jangadeiros e mais uma das histórias que ajudaram a construir a trajetória de 75 anos do clube.
Primeiro Mundial de Vela realizado no Hemisfério Sul
E por falar em histórias, não dá para pensar no Jangadeiros e não lembrar da relação do Clube com os esportes náuticos. Fernanda Oliveira, atleta revelada aqui e que neste ano disputa os Jogos Olímpicos 2016 na classe 470 da vela, é um dos exemplos mais icônicos, mas está longe de ser o único.
Afinal, a ligação com o universo esportivo não vem de hoje. Se difundir e expandir a prática do iatismo na capital gaúcha era um dos objetivos de Geyer desde o início, em 1959 o clube teve a honra de receber o Campeonato Mundial de Vela e chegar mais perto desse sonho.
“Eu disse para os organizadores da Classe Snipe que nós iríamos fazer o campeonato 20 barcos iguais ao meu, o que foi aprovado. Nós não só os construímos como toda a competição foi um sucesso completo. Isso tudo a gente fez por amor ao clube”, recorda Keller enquanto outros sócios se aproximam para oferecer um pedaço de carne recém saído da churrasqueira.
Aliás, amor ao clube é o sentimento que parece resumir os 75 anos do Jangadeiros e a relação com seus associados, desde os mais antigos até os recém chegados. É uma lição que passa de uma geração para a outra e ajuda a tornar o que era apenas sonho em um dos maiores clubes náuticos da capital gaúcha, além de uma referência no Brasil.
Regata Monotipos (HC16 e Laser)
Atleta olímpica Fernanda Oliveira vai carregar a tocha olímpica no Rio Grande do Sul
Já está confirmado, a atleta olímpica da vela, Fernanda Oliveira, foi escolhida pelo governo do Rio Grande do Sul para carregar a tocha olímpica no dia 8 de julho, em Esteio. A gaúcha começou a velejar no Clube, em uma colônia de férias aos 11 anos. A partir daí exibe uma coleção de títulos que orgulha o Brasil, o Rio Grande do Sul e o seu clube de origem. É 18 vezes Campeã Brasileira (1996, 1999 a 2015). Neste ano, irá comemorar a sua quinta participação em Jogos Olímpicos(Sydney/2000, Atenas/2004, Pequim/2008 e Londres/2012). Nos Jogos de Pequim, foi a primeira brasileira a conquistar uma medalha (Bronze) na vela na modalidade feminina. Veleja na classe 470 com a parceira Ana Barbachan desde final de 2009. Entre janeiro e maio deste ano, a dupla trouxe para o País seis títulos internacionais:
– Campeãs do Campeonato Norte-Americano de 470, em Miami;
– Prata no Trofeo Princesa Sofía, em Palma de Mallorca, na Espanha;
– Prata na etapa de Hyères da Copa do Mundo de Vela, na França;
– Bronze da Etapa da Copa do Mundo de Miami;
– Bronze no Campeonato Europeu de 470, em Palma de Mallorca, Espanha;
– 4º lugar no Campeonato Mundial de 470, em San Isidro, na Argentina;
– 6º lugar no Campeonato Sulamericano na Argentina.
Em 2015, as atletas chegaram ao lugar mais alto do pódio na Etapa de Hyàres da Copa do Mundo, na França e, em 2014, foram campeãs no Campeonato Sul-Americano, disputado no Rio de Janeiro, e ainda campeãs da Coach Regatta, na Espanha, entre muitos outros títulos.
Regata Monotipos
Regatas da Fevers movimentam o final de semana do Janga
No último final de semana, o Jangadeiros foi cenário das regatas da Federação de Vela do Rio Grande do Sul (Fevers), e os atletas da casa fizeram bonito! João Kraemer e Daniele Capiotti foram os vencedores no Hobie Cat 16, com 8 pontos, já Cláudio Mika e Alex Vasconcellos ficaram na 3ª colocação, com 17 pontos. Na mesma classe, a dupla Mário Saffer e Karoline Bauermann chegaram na 4ª colocação, com 19 pontos, e Clóvis de Oliveira e Katia Debus ficaram em 6º, com 24. Na Classe Radial, nosso velejador, João Emílio Vasconcellos, alcançou o segundo lugar, com 8 pontos.
Parabéns aos competidores!
Súmula: http://jangadeiros.com.br/wp-content/uploads/2016/05/S%C3%BAmulaFinal21-22Maio2016HC16Laser.pdf
João Emílio Vasconcellos é campeão júnior do Estadual de Laser Radial
Os atletas do Jangadeiros foram até Pelotas, no sul do Estado, para fazer bonito no Campeonato Estadual de Laser Radial. Na categoria júnior, até 18 anos, única com representantes do Clube, João Emílio Vasconcellos foi o grande campeão, Guilherme Perez ficou com o Bronze e Diego Falcetta em 4º lugar. Os 15 velejadores que disputaram o campeonato na Praia do Laranjal em quatro categorias enfrentaram ventos de 11 a 16 nós no sábado. Devido ao temporal, as regatas previstas para domingo foram canceladas.
Lembrando: em fevereiro deste ano, João Emílio conquistou o título de vice-campeão sul-americano sub-18 na classe Laser 4.7 e em janeiro o de vice-campeão brasileiro na mesma categoria.
“Foi um campeonato difícil com um nível bastante alto e foi o primeiro campeonato de radial que eu competi. Experiência importante para treinar para a Copa da Juventude. Estou muito feliz com o resultado.” João Emílio Vasconcellos
Homenagem a Luiz Szabo
O Jangadeiros é um grande Clube graças ao empenho e a dedicação de muitos de seus sócios. Um deles é o estimado sócio-benemérito Luiz Szabo, de 87 anos, que nos deixou nesta última terça-feira (10 de maio).
A comodoria do Jangadeiros e toda a família do Janga agradece a grande contribuição desse amigo e fiel escudeiro, um militante sempre atento e incansável pelas causas do Clube. Nos unimos ao sentimento da sua esposa Sônia Szabo, de seus filhos Pedro Luiz e Ladislau e de toda a sua família. Nosso grande agradecimento ao estimulante convívio, à amizade e à tantas alegrias compartilhadas!
Szabo, de família húngara, pertencia ao Grêmio Esportivo Masson, que em 1948 tornou-se o Iate Clube Guaíba. Ali, Leopoldo Geyer fomentou o esporte náutico, que atraiu Szabo. Com o aterro que mudou a paisagem da Zona Sul de Porto Alegre, o ICG ficou sem acesso ao Guaíba, portanto, sem condições para os velejadores por certo tempo.
Atento aos acontecimentos, o Jangadeiros recebeu de braços abertos os “náufragos” do antigo Clube, como Luiz se referia. Ele e seus companheiros chegaram com entusiasmo ao novo Clube, querendo vê-lo crescer. À época, o fundador Leopoldo Geyer já havia instituído os “Filhotes dos Jangadeiros”, com o qual o grupo se identificou por fazer parte da recente renovação.
Campeão Estadual na classe Sharpie, uma antiga embarcação de madeira, Szabo se tornaria capitão da Flotilha Pinguim, na qual seus filhos começaram a velejar. Foram diversas competições por boa parte do Brasil, Buenos Aires, Montevidéu e Estados Unidos. Mas, para que as competições ocorressem, era preciso que a categoria se unificasse em um padrão. Foi então que Szabo conseguiu a planta original, vinda da Alemanha, e regularizou a situação no País, feito que lhe rendeu o título de Chefe Nacional da Classe Pinguim, além de acumular o cargo de Vice-Comodoro Esportivo do Jangadeiros.
Ao longo de sua história com a vela, foi vice-presidente da Federação de Vela e Motor, presidente da Soamar (Sociedade Amigos da Marinha do Brasil) e comodoro do Jangadeiros em 1988. “Meu legado, e isso eu bato no peito para dizer, é que eu consegui unir as pessoas dos Clubes”, afirmou ele em entrevista ao Clube, defensor da ideia de que a rivalidade entre as agremiações deve ficar na água.
O ex-Comodoro lembrava com orgulho dos tempos de construção da Ilha, que veio a tomar forma graças ao esforço dos associados por puro amor ao Clube. Os finais de semana, seja auxiliando na colocação das pedras ou organizando festas para angariar fundos e dar forma a grandiosa obra, fizeram parte da memória de Luiz e sua esposa, Sônia Szabo, incansável na movimentação social e na própria concepção da Ilha.
“Minha maior satisfação é ver que a filosofia de nosso fundador está sendo levada adiante. É nos jovens que se deve pensar, pois eles são nosso futuro”, dizia Luiz Szabo. Orgulhoso da Escola de Vela Barra Limpa, sempre a considerou a “porta de entrada” do Clube, onde as crianças tem contato com os fundamentos e a filosofia do esporte náutico.
Depoimentos de amigos
Comodoro Manuel Ruttkay Pereira
“Sei que Luiz Szabo Adasz nasceu no Brasil, filho de húngaros, mas, para mim, ele tinha o jeito de quem havia vindo de Budapest, Giör ou Debrecen! Minha lembrança de pequeno era que, conduzido pelas mãos de meu avô, quando nos encontrávamos com a família Szabo, iniciava-se uma longa conversa em uma língua muito difícil e estranha, mas com a qual eu já estava acostumado e, lentamente, aprendia de forma rudimentar! Em todas as ocasiões nas quais nossos caminhos se cruzaram, sem exceção, sempre nos cumprimentamos no idioma magiar, aquele que até o diabo respeita, segundo Chico Buarque de Holanda! Ele brincava, explorando ao máximo meu limitado domínio da língua e eu esforçava-me para cumprir bem com o dever de não deixar cair a peteca dos Ruttkay! Certamente, conviver com o Szabo e beber da sua experiência e retitude ajudou-me, em muito, a entender o Jangadeiros e seus associados e também, em diversas ocasiões, a trilhar o caminho certo! Sua trajetória significativa e histórica dentro do CDJ está contada em outro texto desta News, com mais propriedade e correção do que eu poderia emprestar!
Szabo fez quase tudo dentro do Janga, sendo, inclusive, seu Comodoro, com excelente desempenho! Como poucos, não se retirou das lides do Clube que tanto amava após seu mandato e continuou, como Conselheiro extremamente atuante, até que as condições de saúde viessem a impor limites intransponíveis! Assim se comportando, ele reforçou em mim, a certeza de que muito bem representou a fibra, a coragem e a capacidade de trabalho dos húngaros que escolheram o sul desse imenso país para viver e deixar sua marca!
Partiu, para um outro patamar da existência, aquele que, dentro do Janga, trazia-me sempre, com traços muito vívidos e brilhantes, a lembrança carinhosa de László Ruttkay e seu veleiro, inspirador da minha intrínseca relação com este Clube! Querido Szabo: nessas novas paragens, certamente há um bom Sharpie a tua espera, ventos constantes e fortes como no Balaton e a companhia alegre e vibrante dos teus vários amigos e companheiros que disputarão, taco a taco, o direito de montar a bóia em primeiro lugar! Viszontlátásra! Istenveled!”
Vice-presidente do Conselho Deliberativo, Waldemar Bier
“Nosso amigo Szabo era um entusiasta pela prática do esporte da vela. Com o seu sotaque húngaro, calmo e apaixonado em incentivar os jovens, sempre foi um dos mais atuantes no Conselho do Clube. Tive o prazer de conviver muito com ele e a sua contribuição ao Jandadeiros é um legado que sempre iremos lembrar.”
Aimée Soares
“Cláudio Aydos definiu bem nosso amigo Luiz Szabo: “Luiz Szabo, um jangadeiro”. Era mesmo. Ingressou no clube junto com vários outros velejadores, como Luiz Chagas, Ruben Goidanich, Luiz Schramm, Rodolfo Ahrons, Eduardo Aaron, Eduardo Jacobsen, o “Pescocinho” e Airton Farias, todos oriundos do Iate Clube Guaíba. Quem saiu ganhando foi o nosso clube, que viu chegar essa turma que não só se integrou totalmente à vida do Jangadeiros, como passou a colaborar de maneira permanente e muito produtiva, a ponto de nós, jangadeiros mais antigos, termos a sensação de que eles sempre estiveram conosco. O Szabo, contando com o apoio e participação constante da Sônia, sua mulher, deu uma importante contribuição à organização e ao sucesso da vela juvenil, na época em que os nossos meninos navegavam em barcos da classe Pinguim. Gente como Marco Aurélio, José Adolfo e Luiz Eduardo Paradeda, George e Peter Nehm, Renato Reckziegel, os próprios filhos do Szabo, Pedro Luiz e Ladislau, entre outros, devem guardar lembranças muito vivas das inúmeras viagens para campeonatos nacionais e internacionais, que renderam expressivas vitórias para o Clube dos Jangadeiros. Luiz e Sônia Szabo foram os anjos da guarda dessa gurizada.Sempre em colaboração estreita com a direção do clube, Luiz Szabo foi nosso vice-comodoro Esportivo em três diretorias, de 1977 a 1981, e Comodoro no período 1988/1990. Ultimamente, devido às suas condições de saúde, vinha ao clube somente em ocasiões especiais, mas continuava atento e interessado. Quando eu ia visitá-lo, sempre me recebia com esta pergunta “Aimée, como vai o nosso clube?” E aí falávamos longamente, o Jangadeiros sempre nos deu muitos assuntos. Vamos sentir muita saudade do Szabo, homem calmo e sereno, como disse seu filho Peti, e amigo de verdade, com um grande coração sempre cheio de carinho pelo Jangadeiros e pelos amigos que aqui encontrou.”
Cláudio Aydos
“Esta semana perdi meu velho e grande amigo Luiz Szabo Adasz. Conheci o Luiz nos tempos do Ginásio Rosário. Solidificamos nossa amizade como velejadores no tempo em que ele disputava regatas pelo Iate Clube Guaíba com o seu “Tatagiba’ e eu pelo Jangadeiros com o meu “Rajada”. Arrisco-me a dizer que poucas pessoas tiveram ou têm tão grande amor pelo nosso Jangadeiros, onde ele foi vice-comodoro por várias vezes. Foi um ótimo Comodoro que, pelo seu grande trabalho e dedicação ao Clube, fez jus ao título de sócio benemérito. Szabo nos deixa para navegar em outros mares com ventos mais calmos, com certeza”
Pedro Pesce, vice-comodoro Administrativo
“O Szabo era um cara muito ponderado e extremamente comprometido com o Clube. Nunca faltava às reuniões de Conselho e mesmo com a saúde comprometida estava sempre ligado no Clube. Trabalhamos juntos durante 30 anos na Corsan. Era tranquilo, uma pessoa sensacional. O Jangadeiros era a vida dele. Temos muito a agradecer a esse nosso querido companheiro.”