O Jangadeiros é um grande Clube graças ao empenho e a dedicação de muitos de seus sócios. Um deles é o estimado Luiz Szabo, de 87 anos, que nos deixou nesta última terça-feira (10 de maio).
A comodoria do Jangadeiros e toda a família do Janga está muito triste pela perda do seu amigo e fiel escudeiro Luiz Szabo, um militante sempre atento e incansável pelas causas do Clube. Nos unimos ao sentimento da sua esposa Sônia Szabo , de seus filhos Pedro Luiz Szabo e Ladislau Szabo e de toda a sua família. Nosso agradecimento ao estimulante convívio, amizade e tantas alegrias compartilhadas!
Szabo, de família húngara, pertencia ao Grêmio Esportivo Masson, que em 1948 tornou-se o Iate Clube Guaíba. Ali, Leopoldo Geyer fomentou o esporte náutico, que atraiu Szabo. Com o aterro que mudou a paisagem da Zona Sul de Porto Alegre, o ICG ficou sem acesso ao Guaíba, portanto, sem condições para os velejadores por certo tempo.
Atento aos acontecimentos, o Jangadeiros recebeu de braços abertos os “náufragos” do antigo Clube, como Luiz se referia. Ele e seus companheiros chegaram com entusiasmo ao novo Clube, querendo vê-lo crescer. À época, o fundador Leopoldo Geyer já havia instituído os “Filhotes dos Jangadeiros”, com o qual o grupo se identificou por fazer parte da recente renovação.
Campeão Estadual na classe Sharpie, uma antiga embarcação de madeira, Luiz Szabo se tornaria capitão da Flotilha Pinguim, na qual seus filhos começaram a velejar. Foram diversas competições por boa parte do Brasil, Buenos Aires, Montevidéu e, mais tarde, nos Estados Unidos. Mas, para que as competições ocorressem, era preciso que a categoria se unificasse em um padrão. Foi então que Szabo conseguiu a planta original, vinda da Alemanha, e regularizou a situação no País, feito que lhe rendeu o título de Chefe Nacional da Classe Pinguim, além de acumular o cargo de Vice-Comodoro Esportivo do Jangadeiros.
Ao longo de sua história com a vela, ainda foi vice-presidente da Federação de Vela e Motor, Presidente da Soamar (Sociedade Amigos da Marinha do Brasil) e Comodoro do Clube dos Jangadeiros no ano de 1988. “Meu legado, e isso eu bato no peito para dizer, é que eu consegui unir as pessoas dos Clubes”, afirmou ele em entrevista ao Clube, defensor da ideia de que a rivalidade entre as agremiações deve ficar na água.
O ex-Comodoro lembrava com orgulho dos tempos de construção da Ilha, que veio a tomar forma graças ao esforço dos associados por nada além de puro amor ao Clube. Os finais de semana, seja auxiliando na colocação das pedras ou organizando festas para angariar fundos e dar forma a grandiosa obra, fizeram parte da memória de Luiz e sua esposa, Sônia Szabo, incansável na movimentação social e na própria concepção da Ilha.
“Minha maior satisfação é ver que a filosofia de nosso fundador está sendo levada adiante. É nos jovens que se deve pensar, pois eles são nosso futuro”, dizia Luiz Szabo. Orgulhoso da Escola de Vela, sempre a considerou a “porta de entrada” do Clube, onde as crianças tem contato com os fundamentos e a filosofia do esporte náutico.
Diego Falcetta, Guilherme Perez e João Emílio Vasconcellos participam do Campeonato Estadual de Laser Radial
Nossos atletas estão a caminho de Pelotas para disputar na Praia do Laranjal o Campeonato Estadual de Laser Radial. Evento segue até domingo
“Treinamos em média três vezes por semana, duas horas e meia por dia para o estadual. Será nosso primeiro campeonato de Radial, então temos noção que no radial vai ser mais difícil que no 4.7, pelo nível dos velejadores participantes. Tentaremos o título na categoria júnior, mas esse evento também vai servir como uma Pré-Copa da Juventude, que ocorrerá em outubro, no Rio de Janeiro” Guilherme Perez
“Estamos treinando há bastante tempo em uma intensidade boa e estamos evoluindo bastante desde o ultimo mês, espero ganhar bastante aprendizado no campeonato”
João Emílio Vasconcellos
“Estamos em um ritmo bom de treinos. Acredito que vai ser um campeonato muito mais de aprendizagem para conhecermos a classe e também para saber o nosso nível em relação ao pessoal do estado, que sempre tem um peso muito grande no Brasil.”
Diego Falcetta
Espante o frio com mocotó e feijoada!
Desde o último final de semana, o mocotó está no cardápio do Bistrô Pimenta Rosa e será servido, todos os sábados, durante o inverno gaúcho. O tradicional prato também estará à disposição no Restaurante da Ilha a partir do dia 21 de maio, a cada dois finais de semana. Quando o mocotó não for servido na Ilha, uma feijoada ocupará seu lugar no Buffet.
Conheça o Mocotó
A palavra, em sua origem, significa “pata de animal”. Mas o prato surgiu no Brasil devido aos seus ingredientes ricos e nutritivos, principalmente de baixo custo, que eram aproveitados dos abates dos gados. Em sua essência, o mocotó leva pedaços de linguiça, feijão branco, ovos cozidos, a pata bovina e alguns temperos. Aqui no Rio Grande do Sul, é típico comer durante o inverno, pois o alimento é rico em calorias, além disso, é adicionado ao caldo, o mondongo, o intestino e a coalheira.
Depoimento Cláudio Aydos: Jangadeiros pelo Mundo
“Lembrei-me de uma pesquisa que fiz, em 1991, sobre as participações de nossos velejadores no exterior. Por oportuno e interessante, reproduzo, aqui, trechos daquele trabalho: As comemorações do cinquentenário do Clube dos Jangadeiros trouxeram a oportunidade ímpar, de por em prática uma ideia que há tempos eu acalentava, a de fazer uma pesquisa profunda sobre todas as participações de nosso clube e de nossos iatistas em competições no exterior, para recuperar e preservar este segmento importante da memória esportiva do Jangadeiros e divulgar amplamente os dados reunidos, para servir de estímulo aos nossos velejadores nos próximos 50 anos. Aliás, esses dados serviram de base para a elaboração daquele mapa-múndi que está exposto na Escola de Vela. Eis alguns resultados da pesquisa:
Localidades visitadas no exterior: A bandeira do Jangadeiros já esteve tremulando em 98 cidades diferentes espalhadas por 33 países de todo o mundo, sendo que 37 cidades foram visitadas mais de uma vez.
Países visitados pelo Jangadeiros: Bermudas, Portugal, Uruguai, Bahamas, Argentina, Canadá, Angola, Mallorca, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, Chile, Dinamarca, Paraguai, Porto Rico, Austrália, França, Noruega, Inglaterra, Havaí, Holanda, Japão, Equador, Alemanha, Suécia, Estônia, Venezuela, Itália, Tahiti, Ilhas Canárias, Filipinas, Polônia, Finlândia
Iatistas participantes: Sobe a 182 o número de iatistas de nosso Clube que já tiveram oportunidade de participar em competições no exterior. Como muitos destes 182 atletas participaram mais de uma vez, registramos, ao todo, 744 presenças de velejadores do Jangadeiros no exterior. Vale dizer: se cada vez que um iatista nosso, ao sair para competir no exterior, tivesse levado consigo uma bandeira do clube e a deixasse por lá, seriam hoje (1991) “744 bandeiras do Clube dos Jangadeiros tremulando mundo afora”.
Luiz Szabo, um Jangadeiro
O Jangadeiros é um grande Clube graças ao empenho e a dedicação de muitos de seus sócios. Um deles é o estimado Luiz Szabo, de 87 anos, que nos deixou nesta última terça-feira (10 de maio).
A comodoria do Jangadeiros e toda a família do Janga está muito triste pela perda do seu amigo e fiel escudeiro Luiz Szabo, um militante sempre atento e incansável pelas causas do Clube. Nos unimos ao sentimento da sua esposa Sônia Szabo , de seus filhos Pedro Luiz Szabo e Ladislau Szabo e de toda a sua família. Nosso agradecimento ao estimulante convívio, amizade e tantas alegrias compartilhadas!
Szabo, de família húngara, pertencia ao Grêmio Esportivo Masson, que em 1948 tornou-se o Iate Clube Guaíba. Ali, Leopoldo Geyer fomentou o esporte náutico, que atraiu Szabo. Com o aterro que mudou a paisagem da Zona Sul de Porto Alegre, o ICG ficou sem acesso ao Guaíba, portanto, sem condições para os velejadores por certo tempo.
Atento aos acontecimentos, o Jangadeiros recebeu de braços abertos os “náufragos” do antigo Clube, como Luiz se referia. Ele e seus companheiros chegaram com entusiasmo ao novo Clube, querendo vê-lo crescer. À época, o fundador Leopoldo Geyer já havia instituído os “Filhotes dos Jangadeiros”, com o qual o grupo se identificou por fazer parte da recente renovação.
Campeão Estadual na classe Sharpie, uma antiga embarcação de madeira, Luiz Szabo se tornaria capitão da Flotilha Pinguim, na qual seus filhos começaram a velejar. Foram diversas competições por boa parte do Brasil, Buenos Aires, Montevidéu e, mais tarde, nos Estados Unidos. Mas, para que as competições ocorressem, era preciso que a categoria se unificasse em um padrão. Foi então que Szabo conseguiu a planta original, vinda da Alemanha, e regularizou a situação no País, feito que lhe rendeu o título de Chefe Nacional da Classe Pinguim, além de acumular o cargo de Vice-Comodoro Esportivo do Jangadeiros.
Ao longo de sua história com a vela, ainda foi vice-presidente da Federação de Vela e Motor, Presidente da Soamar (Sociedade Amigos da Marinha do Brasil) e Comodoro do Clube dos Jangadeiros no ano de 1988. “Meu legado, e isso eu bato no peito para dizer, é que eu consegui unir as pessoas dos Clubes”, afirmou ele em entrevista ao Clube, defensor da ideia de que a rivalidade entre as agremiações deve ficar na água.
O ex-Comodoro lembrava com orgulho dos tempos de construção da Ilha, que veio a tomar forma graças ao esforço dos associados por nada além de puro amor ao Clube. Os finais de semana, seja auxiliando na colocação das pedras ou organizando festas para angariar fundos e dar forma a grandiosa obra, fizeram parte da memória de Luiz e sua esposa, Sônia Szabo, incansável na movimentação social e na própria concepção da Ilha.
“Minha maior satisfação é ver que a filosofia de nosso fundador está sendo levada adiante. É nos jovens que se deve pensar, pois eles são nosso futuro”, dizia Luiz Szabo. Orgulhoso da Escola de Vela, sempre a considerou a “porta de entrada” do Clube, onde as crianças tem contato com os fundamentos e a filosofia do esporte náutico.
40 anos da Escola de Vela Barra Limpa
A primeira escola de vela do Rio Grande do Sul e uma das pioneiras no Brasil – a nossa Escola Barra Limpa – comemora o seu aniversário de quatro décadas neste domingo com a regata Troféu Barra Limpa. A competição, a partir das 10h, irá reunir a turma da Flotilha Optmist nas classes Veteranos, Estreantes e Escola de Vela (crianças que ainda não competem oficialmente). Para homenagear o espírito alegre, congregador e “boa gente” do jovem velejador Walter Hunshe, conhecido pelo apelido de Barra Limpa, o Jangada News conversou com sócios que são testemunhas dessa história e com meninos e meninas que viveram ou estão vivendo o bom clima da Escola.
Os depoimentos serão divulgados em série. O primeiro deles é de José Adolfo Paradeda, o careca, amigo pessoal do Barra Limpa e companheiros de vela. Em 1971, os dois conquistaram o título de Campeão Brasileiro da extinta classe Pinguim. A vitória foi comemorada em janeiro e em março do mesmo ano, chegou a triste notícia da morte do Barra Limpa, com apenas 19 anos, em um acidente na Cristovão Colombo, em Porto Alegre. Em agradecimento ao esporte e à contribuição do Clube na formação do Barra Limpa, o pai, Werner Hunsche, dono da tradicional Lojas Imcosul na época, tomou a decisão de construir uma escola de ponta, que serviu de modelo para outros grandes clubes do País.
Depoimento José Adolfo Paradeda: 40 anos da Escola de Vela Barra Limpa
“O Barra Limpa foi meu companheiro, tripulante e um amigo. Chegamos a ser campeões brasileiros na classe Pinguim quando ele tinha 19 anos e eu 20. Ele era meu proeiro e um cara muito bacana mesmo. Uma pessoa que se doava e que conquistou a simpatia de todos no Clube. No Jangadeiros, ele encontrou um lugar de acolhimento, que contribuiu muito para a sua formação e comportamento. O amor pela vela e as novas amizades contribuíram para serenar o espírito irrequieto, alegre e boa praça do meu amigo.
A doação da Escola de Vela pelo seu pai, Sr.Werner Hunche, empresário de sucesso na época, foi em agradecimento por tudo o que o Clube fez pelo seu filho, como faz até hoje por muitos outros jovens. Ele era muito agradecido ao convívio saudável, positivo e queria que muitas outras crianças e adolescentes pudessem passar por aquela formação.
A escola foi a primeira obra da Ilha do Jangadeiros. A partir da doação, foi desenvolvido um projeto arquitetônico e em 1972 era lançada a Pedra Fundamental na comodoria de Edgar Siegmann. A inauguração em 13 de dezembro de 1975 foi um cerimônia concorrida, com a presença de autoridades, Marinha, associados e convidados de outros clubes. O que mais marca nessa grande história de pioneirismo da nossa Escola de Velas, são as gerações de grandes atletas que passaram por ela. Um exemplo é a Fernanda Oliveira, que em 2016 está indo para a sua quinta Olimpíada e é a única brasileira a ter conquistado uma medalha nos jogos olímpicos em sua categoria, o meu filho Alexandre Paradeda, 10 vezes campeão brasileiro, o Gabriel Kieling, o Fábio Pillar (o Cachopa), o Tiago Brito, Lucas Mazin, Átila Pelin e muitos outros. Todos os meus filhos passaram pela Escola e minha neta está se formando nela.
Desde a fundação da Barra Limpa, havia uma preocupação muito grande com a formação dos professores, porque até então os velejadores mais velhos eram quem davam aulas para os mais jovens. Na época, foi fechado um convênio com a Secretaria de Educação e foram cedidos professores de Educação Física e a partir dai a escola foi criando uma cultura profissional de formação de monitores e professores. Sempre destaco que o mais importante na escola de vela, não é formar um campeão, mas desenvolver o prazer de velejar nas crianças desde cedo. A partir dai, a garotada vai ver, aos poucos, se realmente quer competir. O Clube oferece todos os caminhos para a pessoa seguir uma carreira esportiva se ela optar por isto. A escola também sempre foi um grande portão de entrada para novos sócios, isso é importante também, principalmente os pais das crianças que esta aprendendo a velejar, ou o próprio adulto que vem para a escola de vela, pois também temos cursos para os mais velhos.
E para finalizar, reafirmo que todos nós temos muito orgulho da Barra Limpa. Ela foi espelho para muitos outros clubes do Brasil. Por tantos méritos, temos o compromisso de manter a Escola viva em homenagem a família do meu amigo Barra Limpa. O Clube também é eternamente grato a todos os diretores e diretoras voluntários que passaram pela EVBL e, em especial, a primeira diretora Helga Piccolo, que contribuiu muito nos conteúdos didáticos e disciplina. Parabéns a todos que fazem parte desta história e que sejam muito bem-vindos o novos alunos de todas as idade, sócios ou não”.
Depoimento Helga Piccolo: 40 anos da Escola de Vela Barra Limpa
“Quando a escola Barra Limpa estava pronta e tinha que entrar em funcionamento, o nosso então comodoro Edgar Siegmann, chegou para mim e disse: “Olha Helga, tu és professora universitária, dá um jeito na escola”. E eu respondi: “Tu não queiras que eu dê aula de iatismo para os guris, eu vou dar aula de comportamento como iatista”.
Durante 40 anos fui professora da UFRGS, entrei em 57 e saí em 2010. E a escolinha foi fundada em 1974, ano do centenário da imigração alemã. O nosso comodoro também era de descendência alemã e tinha mais alemão do que qualquer coisa no Clube. Eu organizei o currículo e também dava aulas.
Fui a primeira diretora. Fiquei só quatro anos, por uma razão muito simples, a UFRGS mudou para Viamão. Aí eu disse “Olha Edgar, não é mais possível continuar”. Quando minha universidade era no centro, antes de eu ir para a aula passava na escola para ver se tudo estava em dia e se precisava tomar alguma providência. Quando o Werner doou a escola, o genro dele, que era engenheiro, foi pra Alemanha pesquisar escolas de vela. Ele então desenhou o modelo e nos apresentou e tal qual como ele previu a escola foi levantada.
Eu não conheço nenhuma escola de vela que tenha o mesmo desenho que a nossa. Uma coisa a gente deve sempre lembrar, na Europa, basicamente, o iatismo é praticado no mar e não no rio. Então, isso tinha que ser tomado em consideração. Foi levantado um morro e em cima desse morro se plantou a escola. E um dos grandes artistas plásticos do Rio Grande do Sul – Vasco Prado – gravou aquela imagem que está na porta de entrada. Sempre gosto de lembrar o seguinte: o Barra Limpa encontrou na Escola de Vela um caminho, uma orientação, ele se acertou no iatismo. Foi o iatismo que criou responsabilidade no guri.
A escola contribui muito na formação da personalidade dos nossos “pias”. Fui a primeira doutora em história no Rio Grande do Sul, cursado na USP. A minha biografia contribuiu para auxiliar no projeto da Barra Limpa – a minha grande paixão. Eu tive muitos alunos que se destacaram no iatismo. Por exemplo, a família do Careca (José Adolfo Paradeda) é toda de iatistas, o meu vizinho, que é filho do Edgar, também. Minha filha não pratica mais, e agora só o Hilton pratica na classe Oceano. Ele já foi campeão mundial da extinta classe Pinguim e campeão sul- americano na classe Snipe.
O Barra Limpa também foi meu aluno aqui em casa. A mãe dele pediu para eu dar duro nele e eu dei. E ele me respeitava muito. Na escola tínhamos código de disciplina, eu sempre fui muito severa, inclusive na universidade, que não me viessem entrar na aula para bagunçar!
Mas eu nunca me incomodei com os alunos e muito menos com os pais. Muitas vezes os pais não gostam de rigor. Meus alunos até hoje, sempre dizem: “Olha Helga, como tuas aulas foram boas e como tu nos ensinaste respeito e não apenas dentro da sala de aula”.
Depoimento Aimée Soares: 40 anos da Escola de Vela Barra Limpa
“Minha história com o Jangadeiros vem da minha infância, quando meu pai associou-se ao Clube um ano após a sua fundação. Mas foi mais tarde, quando minha família se mudou para o bairro Tristeza, que passamos a frequentá-lo assiduamente. Nessa época, o Clube já contava com um grupo numeroso de jovens que praticamente passavam ali todo o seu tempo livre e a maioria já velejava nos barcos das classes Sharpie 12m, que estavam à disposição graças a iniciativa do fundador e patrono, Sr. Leopoldo Geyer.
Dessa turma, tempos depois, saíram vários campeões e pessoas que muito trabalharam para que o Jangadeiros fosse o lindo clube de que todos desfrutamos. É interessante assinalar que muitas famílias se formaram dentro do nosso Clube, inclusive a minha, pois em 1966 casei-me com Edmundo Fróes Soares e nossas três filhas, Marina, Laura e Beatriz praticamente cresceram dentro do Jangadeiros. O Edmundo era uma pessoa muito ativa e totalmente apaixonado pelo clube e desde muito jovem começou a participar das diretorias. Aos 23 anos, era vice-comodoro e não parou mais. Ocupou a comodoria em seis oportunidades, inclusive nas difíceis fases de implantação da Ilha, lá por 1965.
Acompanhei a cerimônia de doação da Escola Barra Limpa ao clube, feita pelo casal Werner e Liciê Hunsche em memória de seu filho Walter, o Barra Limpa. Acompanhei, também, todas as etapas de sua construção, a grande festa de inauguração, em dezembro de 1975, e o sucesso da iniciativa, graças ao grupo qualificado que passou a trabalhar ali, como os professores João Carlos Correa Cavalcanti e Margaret Biasi, cedidos pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul mediante convênio, sob a direção eficiente de sua primeira diretora, Helga Landgraf Piccolo. Mais tarde, na gestão do Comodoro Carlos Voegeli, fui convidada a dirigir a escola e ali permaneci por uns dois anos. Foi uma época em que a televisão, mostrando a sua força, “despejou” na
Barra Limpa uma quantidade enorme de gente querendo aprender a velejar, graças a uma novela em que os heróis eram velejadores”.
Tivemos que ampliar o grupo de professores e isso foi feito admitindo-se para estágio probatório seis estudantes de educação física, dos quais dois permaneceram na escola, por seleção, ao final do estágio. Foi um belo período em que a Escola de Vela Barra Limpa angariou muitos novos associados para o Clube, o que continua fazendo até hoje e isso é excelente, pois são pessoas que ingressam no clube por gostarem de velejar. Afinal, o Jangadeiros foi fundado para ser um clube de vela!
Depoimento Cláudio Aydos: Formação dos velejadores
“O Clube dos Jangadeiros foi fundado praticamente sem barcos. O Sr. Leopoldo Geyer financiou para o Clube cinco barcos da classe Sharpie 12m2. Pois bem, esses barcos no dia do primeiro aniversário do Jangadeiros foram devidamente batizados pelas senhoritas Eunice Bergallo, Ignez Baer, Maria da Graça Moreira, Lourdes Siegmann e Inge Albrecht. Foi uma bela festa que contou até com a presença do deus Netuno (foto), trazendo um garrafão de água do Ceará para a cerimônia, pois os barcos receberam nomes de rios e/ou cidades daquele Estado.
Estes cinco barcos constituíam a flotilha de competição do nosso clube. No princípio, entretanto, além de poucos barcos, tínhamos também poucos velejadores em nosso quadro de sócios fundadores. Então o Comodoro Leopoldo Geyer, que era um homem de visão, querendo atrair mais gente para o esporte da vela, determinou que os cinco novos barcos pudessem também ser usados por sócios, que não tendo barco, quisessem desfrutar as belezas e delícias do esporte.
Esse uso seria feito mediante o pagamento de uma módica taxa, proporcional ao tempo de utilização dos barcos. Era preciso apenas que os candidatos tivessem alguma noção básica do manejo do barco, tal como armar o barco, envergar e içar as velas, rizar e ferrar panos, navegar em asa de pombo, virar por davante e virar em roda (o temível “Halsen” dos alemães) e por fim, desarmar tudo, ajudar a subir o barco no guindaste e pendurar as velas no secador.
Além disso, os “novos” velejadores deviam comprometer-se a ficar velejando somente em nossa enseada, entre as pontas do Cachimbo e do Dionísio, ou seja, à vista do marinheiro do clube. Trabalhava no clube nessa época, o Sr. Arno Crusius, antigo velejador, que além da função de gerente, fazia as vezes de instrutor de vela. Belíssima figura, o “seu” Arno Crusius!
Era ele que “examinava” os candidatos a alugar um barco do clube, para ver se tinham as noções básicas acima mencionadas. Eu, que já velejava desde antes da fundação do Jangadeiros, também tive que submeter-me ao “exame “pois eu era considerado muito guri, para querer navegar num sharpie 12m2.
Esses medalhões, (foto) por muito tempo ficaram ornamentando as paredes da sede do nosso clube. Infelizmente, esta tradição e este ritual foram descontinuados e mais tarde, quando o clube entrou em obras para a ampliação de sua sede, a diretoria resolveu que os medalhões fossem entregues, cada um ao seu dono. Assim, desde então, mantenho o meu “fundo de barril” enfeitando a parede da minha sala.”
Depoimento Kurt Keller: Quadro dos Jangadeiros
Em 1964, logo que assumiu a vice-comodoria, Kurt Keller, ao lado do então comodoro Edmundo Soares (gestão 1964/1966), encontrou em um depósito do Clube uma antiga fotografia emoldurada e deteriorada pelo tempo. A fotografia em questão tinha um grande significado histórico pois, segundo Kurt, foi esta imagem, de uma jangada chegando em terra, que inspirou o fundador e desportista Leopoldo Geyer a batizar o Clube dos Jangadeiros com esse nome.
Sob encomenda de Kurt Keller, o pintor gaúcho Posluchni recriou a imagem em um quadro à óleo que permanece fixado hoje no restaurante Pimenta Rosa, do continente. “A pintura foi produzida, emoldurada e, sobre ela, foi fixada uma pequena placa para lembrar que se tratava de uma lembrança da gestão 64/66, dispensando os nomes da comodoria”, explica Keller. Segundo ele, são poucos os associados do Clube dos Jangadeiros que sabem desta história.
Segundo Keller, ao dar o nome “Jangadeiros” ao Clube, Leopoldo Geyer encomendou cinco barcos da classe Sharpie 12 M2, para que o Jangadeiros iniciasse competindo com seus coirmãos, mais velhos, Veleiros do Sul e Iate Clube Guaíba. As cinco embarcações receberam os nomes de Aracati, Baturité, Icó, Ipú e Poti, representando os cinco rios do Ceará.